sexta-feira, 31 de julho de 2009

Iguaria II*

Já superado o episódio do miojo, ele agora leva a vida na cidade grande. Vê-se que figurinha de miojo é uma coisa muito plausível de se crer. Hoje ele ri da história, até conta aos amigos. Virou piada, botaram até num blog...

Sua mãe orgulhosa diz que o filho já é homem feito. Se vira sozinho na cidade, os primos o levam pra todo canto. Shopping, lanchonete, praia...

...e show! Aliás, show é uma novidade. Finalmente se convenceram de que ele tinha idade suficiente pra ir a shows com os primos. Cada um recebeu R$10,00 para tomar uma água, um refrigerante e claro, lanchar. Depois de shows, bate aquele vazio na barriga, se é que você me entende.

Todos prontos, cheirosos e arrumados? Chegam lá, dão aquela geral na multidão que já começa a se formar. Tudo bem! Recomendações finais: não perca a gente de vista, se quiser água ou qualquer coisa, a lanchonete fica bem ali atrás, você vai e volta pra esse mesmo canto que a gente tá. Ok? Ok.

Vai demorar muito? Relaxa aí, ainda tem uma banda antes. Ah...

Ele não sabia que tinha esse negócio de abrir show. Pra ele tinha que ter o show e pronto. Foi ficando nervoso, cansado de ficar em pé, no meio daquela gente estranha. Vou comprar água e volto! Fiquem aqui.

Sentiu a nota de 10 dentro do bolso da calça. Ia comprar uma água só e guardar o resto pra lanchar depois. Chegou lá, aquela confusão. Uma mulher anda pra lá e pra cá pegando dinheiro, comida, água, no piloto automático. Ei! Moça! Moçaaa! MOÇA! Que é? Me dá uma água. Com gás ou sem gás? "Com gás?" Uma água normal, por favor. Normal com gás ou sem gás? Dessa aí, ó. Sem gás, então.

Decidir entre água com gás ou sem gás o deixou mais nervoso ainda. A única coisa que ele já comprou com gás, que saiba, foram butijões. Água com gás, sem gás... eu, hein?! Pagou e voltou pra junto dos primos.

Comprou a água? Comprei. Cadê o troco pra guardar? Troco? Ah, não!!! Tu não pegou o troco???!!! Er... É que ficou naquela de água com gás, sem gás... Quanto foi a água? R$1,50. Perdeu R$8,50. Não, eu vou lá buscar. Buscar?? Tu acha mesmo que a mulher vai te devolver? Não? Ah, meu Deus! Ela te enrolou mesmo! ¬¬'

Maldito gás!

Depois disso, o show foi meio incômodo. Ele só pensava no dinheiro que perdeu. Não conseguia acreditar que a mulher tinha passado a perna nele. Ela esqueceu! Com certeza. Com certeza!!!

Depois do show, não vão pra casa sem antes passar numa lanchonete. Os primos fazem seus pedidos. Hambúrgeres enormes, cheios de recheios e refrigerante. Olham pra ele, fazem alguns cálculos e o mais velho propõe: a gente pode juntar nosso troco pra ele comer também. Agora só sobrou tanto. Vê aí o que tem com esse preço.

Esse não... nem esse... esse também não dá... não dá... Tem misto quente. Então peça esse. Tá.

Ótimo! Sua barriga tava roncando desesperada. Ia comer misto, seja lá o que fosse. Os primos disseram que era pequeno, mas muito bom. Antes de pedir, ele lembrou de como os primos pediram os sanduíches deles e decidiu que concordava com a opinião geral. Moço! Eu vou querer um misto quente sem verdura! :]

O garçom olhou bem pra ele tentando esconder o riso, enquanto seus primos acordavam toda vizinhança da lanchonete com gargalhadas. Eles se debatiam e choravam, davam tapas na mesa. Ele não tava entendendo qual tinha sido a gafe da vez. Depois de uns 10 minutos, quando alguém conseguiu dizer algo entre as risadas, ele soube.

Agora já tinha acumulado uma pérola culinária para cada faixa etária da vida. Esperem só ele crescer mais um pouco...

*Baseado em fatos reais.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Msn*

Marta Pada diz:
tu sabe como faz pra diminuir foto? essas tão mtu grandes...

ηaíza diz:
usa o photoshop

Marta Pada diz:
eu n tenho photoshop e msm assim é mtu pesado pr'eu coisar agora. tem oto jeito n?

ηaíza diz:
tu pode cortar, mas aí vai perder os pedaços da foto. ou então tu usa o print screen. abre a foto no tamanho q tu quiser e usa. ;]

Marta Pada diz:
hm... num tem isso aqui n, mas depois eu vejo como faz pra baixar

ηaíza diz:
HASUUahsuHAUSHUahshAHSUhasuhauSHUhasuhUAHSUhasuhAUSHUahsuHAUSHuashuAHUShas print screen é um botão hAUHSUhaushAUHSUHaushuHASUHuhasuAHSUhausuAUSHhasuhAU

-

banannas diz:
e aeam, gatam?

ηaíza diz:
diz, boe! fizesse teus trabalhos?

banannas diz:
mais ou menos... ainda tenho q fz um ensaio :S

ηaíza diz:
ensaio? hAUSHuasuhAUSUas

banannas diz:
O.o'

ηaíza diz:
é engraçado! eu nunca vi ngm falando ensaio nesse sentido
só Saramago! sempre achei q só ele soubesse oq é isso haUSHahsuAS

banannas diz:
aparentemente uma professora minha tb sabe ¬¬'

ηaíza diz:
:X

banannas diz:
não é interessante. antes só Saramago soubesse... :~

*Baseado em conversas reais. Com nomes trocados, apesar d'eu ter tido preguiça de inventar um pra mim. :T

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Lógica

Estive pensando...

Se o Poder Público não pode impedir ninguém de cozinhar em casa porque não tem diploma de Culinária,
Também não pode impedir ninguém de dar remédios sem prescrição médica porque não tem diploma de Medicina;
Também não pode impedir ninguém de dar conselhos porque não tem diploma de Psicologia;
Também não pode impedir ninguém de defender um amigo porque não tem diploma de Direito;
Também não pode impedir ninguém de criar um bichinho em casa porque não tem diploma de Biologia;
Também não pode impedir ninguém de ensinar coisas a crianças porque não tem diploma de Letras*;
Também não pode impedir ninguém de fazer um jornal em casa porque não tem diploma de Jornalismo,
Porque todo mundo sabe que essa é uma prática muito comum nas casas brasileiras.

Muito simples assim...

Pelo bem da liberdade de expressão [e, claro, da boa comidinha das vovós brasileiras] e para acabar de vez com a censura, o Poder Público, justificando seus salários ínfimos [pobrezinhos], resolveram provar que estão fazendo alguma coisa:
condenaram à Fogueira das Vaidades o diploma em Jornalismo.

Depois é "imprensa isso", "imprensa aquilo"...
Ops! Já é assim, né?!

Qual é a sacada da Comunicação nesses tempos? Interatividade! Interatividade significa liberdade de expressão e interferência, direito de resposta e de comentários. Que mundo bonito!
Além disso, só se fala em Inclusão Digital, todo mundo tem seu blog, seu perfil virtual, espaço de divulgação do seu trabalho.
Quem foi que negou isso? [cri... cri... cri...]

Ah, mas você tem que entender! Os jornalistas monopolizavam a Comunicação! Muito injusto! Os jornais, pagos pelos políticos [apenas pelo bem da informação, tá? Sem nenhum interesse extra], são visivelmente monopolizados pelos jornalistas. Eles só escrevem o que querem o tempo todo! Bando de donos da verdade! tsc. Sem graça todo mundo não poder participar da festa, né?! Alguém falou em Interatividade, Liberdade, Inclusão? Oi?

Veja bem todas as maravilhosas mudanças que aconteceram após essa decisão!!
O mercado continua o mesmo, os jornalistas diplomados tomaram um banho de gelo, os cursos de Jornalismo ganharam uma deserção em massa e quem não tinha diploma de Jornalismo e trabalhava nos jornais, televisões, etc [legalmente, sem ninguém nunca ter feito intriga por isso], continua muito bem empregado.
Foram mudanças significativas!!! Ainda mais que agora você já pode ter certeza de que QUALQUER UM pode ter controle sobre a informação pública, a exemplo dos jornalistas natos que espalham "notícias" na internet [geralmente sobre celebridades mortas, separadas, grávidas, traídas, etc].

Agora você não pode culpar os políticos por monopolizarem o Poder Público. Afinal, nem tem diploma pra isso!

...

Mas peraê! A liberdade individual do cidadão não pode ser desrespeitada!
A política não pode ser monopolizada desse jeito! Abaixo a censura de se governar!

VIVA A ANARQUIA!!!! \o/

"Feito histórias de Moebius, vão tirar sua visão
Te dar olhos passivos adequados ao padrão"


*Quer dizer... Pedagogia! Brigada, Stela! ;]

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Trois Amis et un Sandwich Sans Pâté - Deuxième Partie

Vou começar a segunda parte, esclarecendo algumas coisas e respondendo outras.

1 Quando eu mencionei que “o anfiteatro estava interditado, porque todo político acaba descobrindo que os ambientalistas estavam certos”, é porque a interdição, nesse caso, foi causada pela chuva [que abriu uma rachadura imensa por lá]. Isso não deveria acontecer em situações normais, mas quando você constrói uma coisa enorme em cima de uma falésia, é isso que acontece. :]

2 Eu sei que criticar Niemeyer deve ser muito constrangedor mesmo. Ainda mais passando por cima da opinião de Chico Buarque. Vamos analisar um pouco isso. Chico Buarque, como ele mesmo disse no vídeo, viveu uma época bem perturbada da história do Brasil. Então, você imagine que para qualquer jovem da época as obras de Niemeyer eram revolucionárias e representavam um grito de protesto muito forte, o que levou muita gente a fazer Arquitetura (por exemplo, Chico Buarque). Só por isso, já dá pra concordar que música do Tom é casa do Oscar. Quem foi Tom Jobim pra música brasileira, né não?! Se Tom Jobim tivesse seguido rigidamente as regras da teoria musical, certamente não teria escrito Desafinado, assim como, se Niemeyer tivesse seguido o que aprendeu em Conforto I, II e III [sabia que tem essas cadeiras em Arquitetura?], certamente teria pensado que um dia, quando fossem fazer um documentário com ele, não iam precisar arrumar cadeiras em algum lugar por aí afora.

Além de ter essa representação frente às mudanças de uma época, as “casas do Oscar” provocaram uma mudança na Arquitetura e, sem dúvida nenhuma, eram realmente bonitas de se ver. Então, veja bem... eu não estou dizendo que a Arquitetura dele é boa ou ruim. Já tem muita gente pra fazer esse tipo de crítica. Só estou dizendo que não se senta em música do Tom. Amém. Pobres brasilienses [será que Saramago se inspirou neles pra escrever Ensaio Sobre a Cegueira? O.o’]! Enfim... Isso tudo me leva à 3ª questão.

3 Vou usar uma coisa que escrevi por aí...“Acho que tem que existir pessoas para pensar em tudo nesse mundo. Um diretor que goste de exagerar nos efeitos especiais, outro que seja bem realista. Uma notícia que seja bem inútil e outra de utilidade pública. Um médico para o coração e outro para a cabeça. Um arquiteto para projetar casas simples e confortáveis para famílias pequenas e de baixa renda e outro para fazer grandes obras turísticas, modernas, cheias de ousadia sem preocupação com o conforto. Niemeyer, sem sombra de dúvida, é um arquiteto brilhante. Mas se a prefeitura queria usar o lugar para receber eventos, deveria ter deixado a obra de Niemeyer para outras finalidades. O local é belíssimo, mas se uma senhora idosa quiser não simplesmente conhecer, mas participar de algum evento lá, vai ter que sofrer um bocado. Claro que ele não tinha que ter pensado nisso [já que conforto nunca foi o objetivo da arte dele], mas eu acredito que alguém tinha que”. Vamos ao resto da história:

Lá estão as meninas encharcadas, muito felizes com metade do pacote de pão ainda pronto pra ser devorado e os copinhos de refrigerante salvos. Dizem que o que é bonito é pra se olhar, pois eu digo que o que é patético é pra se mangar. Visualizem: três amigas em pé, em volta de uma mochila, duas bolsas, um pacote de pão de caixa com patê, um refrigerante 1,5l, uma caixa de chocolate e outra de morango [que estava na promoção no supermercado onde uma delas comprou o refrigerante. E promoção de morango... sabe como é, né?!], na entrada de uma obra Oscarônica sem banco [“sem banco” ficou redundante, né? Então deixa “obra Oscarônica” sozinha]. Um povo tudo chique falando francês ao redor delas, todas observando aquela cena tragicômica.

O baixinho amigo do francês, que desistiu da conversa para encarar as meninas mais de perto, foi se aproximando, se aproximando, se aproximando...

- Tem um pão desse pra vender?

E de repente, tudo se ilumina! Todas aquelas pessoas iriam gastar seus suados salários na lanchonete, mas também não sabiam que ela estava interditada. Nessa situação, onde normalmente mangariam daquelas pobres meninas, estavam era com inveja delas. Claro que elas não iam judiar das míseras barrigas alheias.

- Pra vender não tem, mas tem pra dar. Podem pegar aqui!

Tinham uns 6 sanduíches ainda. Elas deram um pro baixinho e ofereceram mais às outras pessoas [por educação, né? Já que o baixinho tinha ganhado um, elas não podiam mais negar pra ninguém, mas ficaram torcendo pra sobrar pra elas]. Ninguém mais aceitou, embora o baixinho tenha insistido bastante que o francês estava morrendo de fome.

- Eita! Eu achei que era só pão! Tem recheio e tudo! É de que?
- É patê de peito de peru! – disse a amiga que preparou, orgulhosa.
- Tá bom demais! Dá um pro francês também! Ele tá com fome!
- Non, non querro, non!
- Quer, sim! Ele quer!
- Pode pegar! Pegue!
- Non, é mentirra dele!

No meio da discussão, o baixinho partiu o sanduíche dele no meio e deu a outra metade para o francês. Vou descrever o francês: ele tem perto de 2 metros [não sei se é porque eu sou baixinha, mas eu tive essa impressão], magrinho, coitado, e com uma boca de fazer inveja à Sandy&Júnior [porque todo mundo sabe que eles são uma pessoa só]. Ele pegou a metade do sanduíche, botou tudo na boca e engoliu de uma vez, enquanto repetia: Non estou com fome. Non querro!

As meninas ainda ofereceram outro sanduíche pra ele, já a metade de um tinha sumido num piscar de olhos, mas ele não quis. Nem chocolate, nem nada mais. Que pena! Sobrou 5 para elas. E foram comendo, comendo. Quando tinha só um no pacote, o francês entra na roda.

- Tem outrro pain? É qui mon amigo está querrendo outrro, purrque ainda está com fome.
- É nada! É ele mesmo que tá com fome! Eu não pedi nada!
- Foi ele que pediu, sim! Eu só vim pegarr.

Eu comentei que a amiga que fez os sanduíches deixou o último com cheiro de patê e só? Pois bem, ela ficou meio constrangida, olhou para o horizonte tentando disfarçar, mas as amigas não entenderam. Além de que, vai... Ninguém resiste ao sotaque francês!

- Só tem um, mas pode pegar!
- Fique à vontade!
- Obrrigado!

Ele levou o sanduíche, deu pro baixinho que partiu na metade de novo. O francês pegou sua metade e levou o pacote vazio pra jogar no lixo. Voltou reclamando:

- Você me deu a metade san rrecheio!
- Eu? A minha veio sem recheio também!
- Eu paguei purr um pan com patê!! Querro meu dinhêrro de volta! – brrinca o frrancê. Quer dizer... brinca o francês. :X


As meninas olham para a amiga que preparou os sanduíches, incrédulas! Ela só consegue lamentar, tentando não rir. As três caem na gargalhada de novo. Alguém lá dentro chama o francês, avisando que vai começar a sessão e todo mundo entra. Nesse dia, o filme nem precisava ser bom, porque as três amigas já tinham se divertido demais só com a espera. E o baixinho e o francês nem podiam reclamar de não ter lanchado, né mesmo?

foto: Julie Depardieu em Você e Eu, o filme que afinal, as três amigas assistiram.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Trois Amis et un Sandwich Sans Pâté - Première Partie

Esse aí é Oscar Niemeyer. Gênio sentadinho no seu sofá confortável no Rio de Janeiro. Que lindo! Ele é tão genial, mas tão genial, que o sonho de todo político do Brasil, é ter uma obra dele na sua cidade. O problema é que não é de graça e quando uma obra Oscarônica* é feita, se prepare pra pagar caro por todo evento que for feito lá. Eis que o prefeito daqui resolveu passar por cima de todas as recomendações ambientalistas e contratou os serviços desse arquiteto da natureza. Brilhante!

Uma vez, Niemeyer disse assim: "Minha preocupação sempre é fazer uma coisa diferente, que provoque surpresa". Não sei nos outros lugares, mas aqui ele definitivamente conseguiu! A obra em si é bem condizente com seus outros trabalhos. Tem o traço de Niemeyer mesmo. O que surpreende mesmo é a falta de bancos. É... daqueles que você senta. Se você chegar lá cedo para o evento, vai ter que ficar em pé, porque só pode entrar no auditório alguns minutos antes. Se você for esperto, vai no banheiro e fica lá sentado [na privada mesmo] até começar.

Tem um anfiteatro onde você pode sentar, tudo bem. Mas se for dia, impossível! Ele fica embaixo do sol o dia inteiro. Tem também a lanchonete, onde você só pode sentar se for comer [depois de vender seu fígado e olhos, que fique bem claro]. Ou então o Café, que fica na cobertura do “parafuso”, ou seja, você sobe uns 4 lances de escada em espiral [a menos que você seja deficiente ou idoso, aí pode usar o elevador], chega lá morto e tonto, depois tem que descer pra acompanhar o evento no prédio onde fica o auditório. Se bem que o Café só fica aberto até às 17h...

Então... vamos à história. Estão lá, 3 amigas indo para um evento à noite na mega-obra-de-arte de Oscar Niemeyer. Um evento do Ano da França no Brasil, uma mostra de filmes franceses contemporâneos. Já prevendo a fome que teriam, porque iam direto para lá dos seus devidos empregos, compraram [pelo mesmo preço que comeriam uma barrinha de chocolate, dividida entre as três, lá na lanchonete do Niemeyer] um pacote de pão de caixa, 2 bisnaguinhas de patê de peito de peru e 1 refrigerante de 1 litro e meio. A amiga encarregada de preparar os sanduíches é meio exagerada na hora de colocar os recheios, ou seja, faltou patê para o último sanduíche, de modo que ela benzeu os pães com um patê espiritual... só dava pra sentir o cheiro. Mas tudo bem, tinham mais 10 sanduíches além daquele, todas já estariam bem saciadas quando ele fosse comido.

Chegam lá na mega-obra e eis que encontram o anfiteatro [onde obviamente iriam sentar] interditado, porque os políticos, mais cedo ou mais tarde, sempre descobrem que os ambientalistas estavam certos. A lanchonete também estava interditada, ou seja, nada de alugar os banquinhos de lá. Mas observado bem, tinha um pedaço do anfiteatro que dava pra sentar. Elas andaram para lá decididas. Aí, lá de longe, um guardinha grita:

- MENINAS, MENINAS! VOCÊ NÃO PODEM IR PRAÍ! – já correndo em direção a elas.

Ok. Fazer o que, né? Elas param e voltam.

- Vai perguntar a ele onde a gente pode sentar, então!
- Mas é óbvio que eu vou perguntar isso AGORA! – disse a mais esquentadinha das três e saiu batendo os pés, indignada, enquanto as outras duas acompanhavam de perto, porém um pouco afastadas.

As duas param e ficam escutando o que o guardinha vai dizer. Enquanto isso, dois homens estacionam o carro e vão subindo para a lanchonete, onde pretendiam comer depois de um longo dia. Ao constatar a situação frustrante em que se encontravam, seguiram pelo único caminho que a interdição permitia: a famigerada grama. Nisso o guardinha pega seu rádio e, antes que a irritadinha comece a reclamar com ele, avisa:

- Ocorrência Dois-Meia-Cinco-Três, indivíduo passando por cima da grama ao lado do auditório.

As duas amigas ainda pensam em salvar a vida da outra, afinal se o guardinha ia punir o cidadão francês organizador do evento e seu amigo baixinho por andarem na grama, o que poderia acontecer com elas? Mas não havia mais tempo. Elas ficaram lá esperando, preparadas pra correr.

- Olhe aqui, companheiro, é o seguinte! – “é o seguinte” é super clássico, né? – A gente quer sentar pra lanchar, só que nesse negócio desse tamanho não tem um banquinho pra gente sentar. Só tem o anfiteatro, e agora nem isso! Onde é que a gente pode sentar, então?
- Olhe, aqui não tem lugar pra sentar mesmo, não. A lanchonete está interditada.
- E a gente vai fazer o que, então? Por que não botam logo um lugar pra sentar nesse negócio?
- Não pode. O prefeito tentou, mas Oscar Niemeyer não deixa. Vou chamar uma pessoa pra ver se resolve.

Uff... ele compartilha da “surpresa” projetada por Oscar Niemeyer à nação. Até porque até parece que ele vem muito aqui ficar em pé na obra de arte dele. ¬¬' Vai continuar sentadinho lindamente no seu sofá confortável. Pois bem, o guardinha chama a mulher pelo rádio e depois de um tempinho ela chega, acompanhada de outra mulher. As outras duas amigas se aproximam, dessa vez para interagir também.

- A gente queria saber onde podemos sentar para lanchar aqui.
- Olhe, a lanchonete está interditada.
- A gente notou! ¬¬’ A gente não quer comprar comida. Nós trouxemos pra comer aqui, mas não tem lugar pra sentar.
- É, não tem mesmo. Vocês podem sentar no auditório.
- Pode comer no auditório?
- Não, nem pode entrar com comida lá.

Uma das amigas se afasta um pouco para inibir a vontade de pular em cima da mulher e esganá-la viva ali mesmo.

- Então, a gente pode sentar no chão? – Esqueci de mencionar... os guardinhas também não deixam você sentar no chão.
- Er... – a mulher hesita umas 2h, quase responde que não, mas... – É incômodo, não?
- MINHA FELHA, É INCÔMODO PRA GENTE, NÉ? MAS O QUE A GENTE PODE FAZER? NÃO TEM OUTRO LUGAR PRA SENTAR!!! ¬¬’
- Er... pode ser, então. Podem sentar no chão mesmo.

No controle da situação e um pacote de pão de caixa na mão, as três saem de cabeça erguida a procurar o melhor [leia-se mais escondido] lugar [no chão] para sentar. Sentam em círculo e acomodam suas coisas no meio, com o pacote aberto e pronto para ser devorado. Pessoas transitam olhando aquela cena excêntrica: três amigas fazendo um piquenique no meio da noite na obra Oscarônica mais recente. Uma falta de absurdo! A fome era grande. Elas enchem os copinhos com refrigerante e...

- Sentiu?
- O que?
- Tá chovendo!
- Eu não senti nada.
- Nem eu.
- Olha aí o pingo no chão.
- Estranho, eu não senti.
- Não deve ser nada...

O nada caiu de vez, uma enxurrada. Seus refrigerantes viraram chuva. Elas riam de chorar enquanto recolhiam as coisas, sanduíches meio mordidos na mão, bolsas e sacolas seguradas bem desajeitadamente e asas nos pés. Chegaram na cobertura da entrada do auditório encharcadas, com metade dos sanduíches comidos, rindo feito hienas e com a dignidade intacta! Se juntaram a outras tantas pessoas que fugiram da chuva, entre elas o francês organizador do evento e seu amigo baixinho.

[...]
*

sábado, 16 de maio de 2009

Não priemos cânico!!!

A primeira reportagem que assisti na TV sobre a gripe suína foi consideravelmente enoooorme. Começava mostrando pessoas desembarcando em um aeroporto de São Paulo. Elas vinham do México, apavoradas, querendo ser recebidas por Dr. House para milhões de testes que as convencessem de que não estavam gripadas, apesar de nunca terem apresentado nenhum sintoma de nada. Na época da reportagem existia apenas uma suspeita de gripe suína no Brasil. Era sobre esse caso a segunda parte da reportagem. Não me lembro bem do resto, mas a reportagem foi principalmente sobre isso.

O pânico é uma coisa muito fácil de provocar e também muito difícil de controlar. Em algum momento remoto da reportagem, eles citavam que os agentes sanitários recebem alertas diretamente dos aviões se existirem motivos para preocupação. Se enquanto isso mostram imagens de pessoas assustadas, implorando para serem examinadas, reclamando do Governo, beirando a histeria, você só não pode esperar que quem está assistindo tome um copo de leite quente e sonhe com os anjinhos! Ironicamente, o âncora do jornal em questão terminava a reportagem dizendo algo do tipo: Ninguém precisa entrar em pânico. Boa noite!

UN HUN! Responsabilidade social? Não trabalhamos!

Terminada a dita cuja, eu comecei a rir. Por acaso eu estava ao lado de minha tia médica e comentei com ela que tinha certeza de que, depois daquela reportagem [e da genial recomendação final], todo mundo tinha entrado em pânico. Minha tia completou apostando que, a partir daquela semana, os hospitais do Brasil iam entupir de gente achando-se moribundas da gripe suína. Dito e feito. Ninguém pode mais ter uma corise achando que é corise. Só pode ser gripe suína! Algumas semanas depois e mais alguns casos suspeitos no país, eu tive uma prova do pânico causado nas pessoas, que se não fosse cômico seria trágico [ou o contrário].

Lá estava eu numa feira dessas que viajam o Brasil todo. Corredores apertados, gente saindo de cada buraco e stands de produtos para cozinha, que não sei por que insistem em picar cebola. Pela descrição, você já consegue imaginar o aroma suave que perfumava o local. Pra completar, um dos primeiros stands era de perfumes, onde ficam as vendedoras na frente distribuindo aqueles papeizinhos aromatizados com as fragrâncias up da estação. Eu não posso ficar com esses papéis na mão, porque não consigo parar de cheirar. Pode ser um cheiro horrível, mas tá na mão, cheirei [os papéis de perfume, por favor]! Só tem um problema: eu sou alérgica. A perfume, a trigo, a frutas, a produtos de limpeza, enfim... É difícil dizer do que eu não sou alérgica.

Depois de mais ou menos meia hora cheirando aquele papel, misturado com couro de sapato e cebola, era de se esperar que eu começasse a espirrar. Na hora da minha crise, o trânsito não estava lá muito fluido. Nisso, vinha uma mulher bem feliz andando em minha direção. Sacolas na mão, muito contente com suas novas aquisições, nem reparava em mim. Aí me deu aquela vontade de espirrar... A.... A... Antes de aliviar minha crise, olhei para a mulher. O rosto dela tinha uma expressão mais ou menos assim: O.O’

Ela segurou as sacolas contra o peito e correu em disparada sabe Deus pra onde, pálida, aflita, trêmula. Ao ver a cena, eu não sabia mais se espirrava ou mangava. Meu espirro saiu um misto de “atchim” com risada! Minha amiga que me acompanhava vinha atrás já chorando de rir.

Mas o que eu queria mesmo com isso tudo era ensinar a vocês como se livrar de uma multidão e transitar tranqüilamente em qualquer ambiente! Eu autorizo a utilização da minha estratégia. É infalível! ¬¬’

Té o cróximo pauso!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Iguaria*

Mas também, coitado, ninguém explicou pra ele...

Pouquinha vida tinha ainda. Nunca tinha saído da cidade, que nem nunca foi essas coisas também. Lá é daqueles lugares que fica o povo na rua conversando, quase tudo que comem é cultivado no quintal de casa e os bodes andam nas ruas junto com as pessoas. Aí chega os parentes da capital com umas danadas de tecnologias alimentícias!

Depois de um dia cansativo, porém divertido, tomando banho de rio e fazendo trilha ao redor da cidade, foram os primos todos tomar seus banhos e se arrumar pra janta. A tia do menino tinha levado umas comidas diferentes, mais rápidas de se fazer, pra ajudar a irmã, né? Coitada...



Um tal de miojo! Bonitinho... da Turma da Mônica. O menino achou ótimo! Gostava de experimentar coisas novas e também gostava da Turma da Mônica. Os primos ficaram encarregados de preparar aquela especiaria capitalesca. Claro que o menino aproveitou pra ficar de olho. Os primos abriram o pacote e despejaram o macarrão na panela fervendo. E como é de costume nas melhores famílias, o pacote do tempero caiu na panela.

O menino viu aquele pacotinho safado pulando com o macarrão e entendeu imediatamente. Os primos ficaram todos calados. Ele não podia perder aquela oportunidade única! Tudo isso durou uma fração de segundo. O suor caía de seu rosto da tensão, ele tinha que aproveitar. Agora!

- A FIGURINHA É MINHA!!!

Não chegou a queimar a mão quando mergulhou-a na panela quente, mas a dignidade de criança foi completamente incendiada por causa da reação à sua esperteza. Depois disso nunca mais quis saber de reclamar figurinhas oriundas de qualquer pacote, caixa e embalagens em geral.

*Baseado em fatos reais.